Elevação do custo de vida, contribui para o aumento da pobreza.
Aumento constante dos preços dos combustíveis, do gás e das tarifas de energia elétrica, eleva custo da cesta básica e impacta negativamente a vida da população de baixa renda

Caso não seja revista, rapidamente, a política de preços dos combustíveis no Brasil, a tendência será sempre o custo maior recair sobre os setores mais vulneráveis da sociedade, implicando no considerável aumento dos índices de miséria e pobreza da classe trabalhadora.
Foi a partir do golpe em 2016, que a Petrobrás promoveu uma alteração importante na definição da política de preços dos combustíveis, buscando o alinhamento de seus preços àqueles praticados no mercado internacional. Desde então, segundo estudos realizados pelo Departamento Intersindical Estatísticas e Estudos Econômicos – DIEESE, o Brasil passou a conviver com a instabilidade e escalada dos derivados de petróleo, como se fosse um país que dependesse essencialmente de importações de combustíveis, o que não é o caso.
Pelo contrário, ainda segundo os dados do DIEESE, a produção nacional de petróleo cresceu no período de 2016 a 2020 18% e chegou a 3,7 milhões de barris equivalentes por dia, o que se deve a produção nos campos do pré-sal, descobertos em 2006, o que levou o Brasil a ocupar, em 2019, o 10° lugar entre os maiores produtores, o 9º lugar entre os maiores detentores de parque de refino, com capacidade de produção de 2,4 milhões de barris por dia e o 9º maior consumidor de petróleo do mundo. Dados que por si só, justificariam uma política de preços voltada para o estímulo do desenvolvimento do mercado nacional, como foi feito durante os governos Lula/Dilma.
Porém, a opção feita, desde que Michel Temer usurpou a Presidência da República, tem provocado elevação constante dos preços de todos os derivados de petróleo (gasolina, óleo diesel e gás), com reflexos negativos em todos os setores da economia, provocando altas constantes de preços de bens e serviços. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, divulgado no último mês de maio, apontaram que quem sofreu a maior pressão inflacionária, entre abril e maio, foi aquela parcela da população que tem renda inferior a R$ 1.650,00.
Segundo relatório divulgado pelo IPEA, o acumulado da inflação nos últimos 12 (até maio) atingiu o índice de 8,91% para as famílias mais pobres, sendo que para as famílias mais rica, no mesmo período a inflação ficou em 6,33%. A elevação de preços da energia elétrica, gás e medicamentos, compõem o grupo de maior impacto sobre os pobres.
No que tange ao levantamento do preço da cesta básica, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do DIEESE, houve aumento dos alimentos básicos em todas as capitais pesquisadas e, em média, no mês de junho, um trabalhador com salário-mínimo líquido (descontado o percentual de contribuição da Previdência Social) gastou 54,79% com alimentos.
Com base no valor da cesta básica mais cara identificada, que em Florianópolis/SC (R$ 645,38), o DIEESE calcula que o salário-mínimo hoje deveria ser no valor de R$ 5.351,11. Ou seja, 4,86 vezes a mais que o valor vigente.
Tem sido esta discrepância entre custo de vida e renda da classe trabalhadora, somada ao intenso processo de precarização das condições de trabalho, um dos fatores fundamentais para o aumento da miséria e da pobreza em nosso país, o que faz do Brasil um dos países com maior desigualdade social.
Tal cenário, revela a importância de programas sociais, permanentes ou emergências, de transferência de renda, como mecanismo de combate a fome e a pobreza.
O rebaixamento das condições oferecidas pelo Programa Bolsa Família pelo desgoverno Bolsonaro, bem como o irrisório valor de R$ 150,00 de auxílio emergencial no contexto da pandemia, não alivia a situação de penúria para a qual foram deslocados mais de 19 milhões de brasileiros em 2020, como apontou o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia do Covid-19, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).
Dados divulgados pelo IBGE no último dia 30 de Julho (sexta-feira, passada) demonstram que o desemprego permanece elevado atingindo 14,8 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, para os quais não há nenhuma expectativa de reinserção no mercado de trabalho no curto prazo. A reação do Ministro da Economia, Paulo Guedes, frente ao cenário de exclusão em curso, foi dizer que o “IBGE está na idade da pedra". Visão que reflete o completo abandono pelo atual desgoverno Bolsonaro da agenda de promoção do trabalho decente e a principal diretriz da sua política para o mercado de trabalho que é fazer avançar o processo de flexibilização e precarização das relações de trabalho.
Pela frente, mais desemprego, mais pobreza e miséria.


